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  <title>.: Histórias meio ao contrário :.</title>
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  <dc:date>2013-5-22T02:48:12Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/o-menino-pedro-e-seu-boi-voador">
  <description>Quando eu era bem pequena, tão pequena que nem me lembro disso e só sei porque minha mãe contou,  tinha uma amiga imaginária. Ou melhor, uma amiga invisível, como eu dizia. O mesmo acontece com muitas crianças. Aconteceu com meu filho Pedro. Só que o dele não era um menino. Era um boi. Voador, ainda que sem asas. Diretamente inspirado numa miniatura de bumba-meu-boi que o padrinho  trouxera do Maranhão e tínhamos pendurado no teto da casa.&lt;br /&gt;&#13;&#10;O livro O Menino Pedro e seu Boi Voador conta essa história. Tenho um carinho especial por ele, um de meus primeiros, cheio de referências a minha família e a experiências vividas por nós.  Para mim, sempre foi uma celebração do convívio familiar cotidiano e da capacidade inesgotável de imaginação que as crianças têm.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas  ao longo do tempo, os leitores foram me mostrando outras coisas. Antes de mais nada, que um livro também é um amigo secreto e quase invisível, que cada leitor vê de um jeito diferente, mas sempre está ali pertinho, pronto para nos acompanhar nos  diversos momentos da vida. Nesse processo,  as leituras dos outros foram me revelando como esta história reúne tantos elementos das diferentes culturas que nos formam, trazendo elementos folclóricos e tradicionais para uma realidade urbana e contemporânea,  que por sua vez o acolhe com referências a obras mais eruditas registradas em livros e discos e também com sua cultura de massa  povoada de superherois e tecnologia. E que um bocado da mágica de um livro pode estar justamente nessa capacidade de reunir mundos que parecem distantes, até mesmo num estilo que mistura a prosa diaria com vestígios de poesia na rima , no ritmo, nas imagens. E que pode falar de coisas sérias em tom de humor.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Agora com novas ilustrações,   vou descobrindo  ainda novos encantos nesse Boi Voador e nessa família que o recebe apesar das dúvidas., meio deslumbrada, meio assustada.  E agradeço a Alexandre Rampazo pela sensibilidade com que captou tudo isso na nova edição, depois de tantos anos vendo esse livro nos traços de Ivan Zigg. E tendo sempre na lembrança as inesquecíveis ilustrações da primeira edição, com o jovem estreante Rico Lins, que iria se consagrar depois como um dos grandes nomes do design nacional. Sem esquecer os traços diferentes com que essas aventuras do unverso familiar foram  retratadas em sua versão espanhola, Aunque Parezca Mentira.&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/o-menino-pedro-e-seu-boi-voador</link>
  <title>O menino Pedro e seu boi voador</title>
  <dc:date>2013-2-03T05:48:37Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/quem-foi-que-fez">
  <description>Continuamos com a proposta da coleção ABRE O OLHO: de uma forma lúdica, brincando, ajudar a despertar o olhar da criança para uma percepção do mundo. Ainda é uma aposta na possibilidade de uma descoberta poética das coisas. Mas agora, neste volume,  o foco é outro  distinguir natureza e cultura. As fotos que Luísa me trouxe focalizam essa distinção. Os versos que fiz  para elas ajudam a orientar uma primeira leitura.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Na verdade, QUEM FOI QUE FEZ?  é um livro que sugere perguntas, uma atrás da outra, e não aponta respostas. Apenas brinca de sugeri-las.  Das mais concretas às mais abstratas.  De uma forma bem divertida e, às vezes, comovente. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Convidamos  o leitor a sair passeando de olhos abertos, ouvidos atentos e percepção aguçada , procurando descobrir o que foi feito por mãos humanas e o que brota  sozinho na natureza. Mas também,  a notar aquilo que mãos humanas podem fazer com o que faz parte da natureza. Nem sempre para melhorar.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Pensar sobre essas coisas, em qualquer idade, faz parte de uma atitude antropológica. Mas também convida a uma consideração crítica, de respeito à natureza e ao planeta. Mais ainda:  é uma reflexão que se abre sobre outras questões, aquelas bem sérias sobre as quais as religiões sempre se debruçaram e a filosofia vem se interrogando há milênios. Como surgimos? De onde viemos? Qual nosso lugar no mundo?&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Tudo isso está também ligado aos grandes e fascinantes mistérios da criação. Como se cria a vida?   E a arte? &lt;br /&gt;&#13;&#10;Vamos celebrar cheiro de pão,  gosto de fruta,  canto de passarinho, murmurio das ondas, barulho de chuva. Prestar atenção em concha, ninho e casa,  Mas também na música que nos faz querer dançar e no acalanto que faz adormecer. Ou no latido do cachorro que alguém prendeu.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mais uma vez, a proposta desse livro é funcionar apenas como um ponto de partida.  Uma provocação para que, inspirados por ele, adultos e crianças possam sair  juntos pela cidade observando, analisando, pensando. E conversando muito sobre tudo isso, de que nossa vida se tece.&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/quem-foi-que-fez</link>
  <title>Quem foi que fez?</title>
  <dc:date>2012-4-19T12:34:33Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/do-outro-lado-tem-segredos">
  <description>A autora dá seu depoimento sobre esse livro:&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;em&gt;Este é um livro em que mergulhei de modo muito forte na minha relação de vida com Manguinhos (Espírito Santo): o mar, os amigos pescadores, as festas  e folguedos tradicionais em que sempre vivi imersa lá, desde a infância. Há alguns cânticos que eu nem lembrava que sabia e, à medida que ia escrevendo o livro, voltavam com força a memória. Num deles, quando eu quis conferir uma palavra que tinha esquecido e telefonei a minha mãe para  tentar saber, ela até levou um susto. Disse que era incrível eu lembrar, porque quem puxava essa cantoria era um velho pescador que morreu antes de eu fazer dez anos, e nunca mais ela ouvira cantar De qualquer modo, continua muito forte a presença do Congo na tradição capixaba, e as novas gerações não deixam que ele se acabe. Tenho muito orgulho de que, em Manguinhos, eu, meus  irmãos, filhos e sobrinhos somos aceitos como nativos  e incorporados na hora de  bater congo, chamados a cantar ou dançar juntos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Também o ambiente de pescaria com rede de arrastão está muito presente nessa história. E também não é só da infância. É de sempre. Tenho fotos em que minha mãe aparece, menina, em 1929, no meio da criançada que ajudava os adultos (como meu avô)  a puxar a rede. E tenho fotos minhas, de meus filhos, de meu neto na mesma atividade. O que mudou foi a importância dessa forma de pesca para a comunidade e os resultados dela. Hoje se pesca menos manjuba, menos  peixe em geral   efeito de muito tempo de pesca predatória nas redondezas , das redes de nylon, da construçnao de grandes portos nas vizinhanças. A rede de arrastão, artesanal, deixou de ser uma modalidade importante de pesca, mas ainda acontece por lá.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;E vale a  pena lembrar uma curiosidade: meu primeiro texto publicado em toda a vida se chamava Arrastão, na revista Folclore. Eu tinha uns 12 anos e descrevia justamente uma pesca desse tipo em Manguinhos. Não guardei nada, claro. Mas ficou na memória. E muitos anos depois, após a publicação de Do outro lado tem segredos,  apareceu esse original, manuscrito em papel almaço, que tinha sido guardado por um de meus tios. Fiquei surpresa em ver quanto da descrição que fiz no livro já estava embrionária na redação infantil.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Tenho a impressão de que, ao escrever sobre esses outros lados todos, despertei segredos misteriosos  que vão muito além da memória de nossa cultura e falam também de profundezas da minha vida.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Quando esse livro foi lancado, o grande crítico  brasileiro Alceu Amoroso Lima, que também usava o pseudônimo Trustão de Athayde, escreveu  sobre ele  a seguinte crônica, no Jornal do Brasil:&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Um idílio&lt;br /&gt;&#13;&#10;Tristão de Athayde&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;em&gt;Ana Maria Martins foi uma de minhas melhores alunas na Faculdade Nacional de Filosofia. Seu primeiro livro, já com o nome de Ana Maria Machado, foi uma tese tão importante sobre o Recado do Nome. Leitura de Guimarães Rosa à luz do nome de seus personagens (1976), que Antonio Houaiss escreveu, em seu prefácio, que este ensaio, que é inclusive um desvairo de beleza verbal, levanta um divisor de águas no gênero, antes dele e o que se tentará depois. Discípula de Roland Barthes e familiar dos segredos mais atuais do linguistês, idioma crítico moderno equivalente ao economês dos mais modernos economistas, Ana Maria Machado (na linha filosófica de Heidegger, de que a palavra cria a coisa), ingressou nas letras como um adestrado piloto, no arquipélago da crítica mais moderna e sofisticada, na qual o mistério da palavra é dissecado em sua mais íntima anatomia.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Pois bem, essa jovem capitã de longo curso semiótico volta agora às letras ou pelo menos lança a sua rede literária a cardumes totalmente diversos. Em vez do mar alto das extremas complexidades formalísticas, em que Guimarães Rosa foi maestro di color che sanno, fica na praia, com o seu jovem herói Benedito ou Bino, filho de pescador, de um recanto de nosso litoral não identificado. O menino fica na praia, mas olhando nostalgicamente para o alto-mar e prevendo que do outro lado tem segredo. É o título dessa pequena novela, entendida como uma narrativa para crianças. O problema da literatura infantil sempre me preocupou e no primeiro volume dos meus próprios Estudos (1927) sustentei que as crianças e não os adultos deveriam escrever para crianças. Mas, se é verdade a eterna contradição humana, do nosso mestre em mistérios psicoliterários, também é verdade que os adultos se interessam, cada vez mais, com coisas de criança e estas com coisas de adultos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Seja como for, essa volta de Ana Maria Machado às letras, já não mais como analista de literatura, mas como criadora, é uma página de alta beleza formal e de sutis alusões parabólicas, que bem mostram como a verdadeira simplicidade literária, não por deficiência mas por opulência, é a plenitude da complexidade. É preciso ter percorrido, ao menos em imaginação, todos os horizontes do mundo, como dizia Chesterton, para descobrirmos que a verdade, o bem e a beleza estão em nossa casa, ao alcance de nossas mãos. Parca domus magna veritas. Quando comecei a ler esse pequeno e delicioso idílio, imaginei que o pequeno Bino pegasse de um bote para ver, realmente, o que havia do outro lado do mar e se perdesse no oceano. Era literatura bonita demais para agradar às crianças. Agradaria aos adultos, cansados de sofisticação literária. Mas quando terminei, fiquei pensando no motivo pelo qual Jesus escolheu o estilo parabólico para revelar aos homens os segredos que trazia de suas confidências com o Pai. A razão dessa escolha não era a preferência que os orientais têm pela linguagem figurada. Era realmente a escolha de um terceiro estilo, que não fosse exclusivamente nem para adultos nem para crianças, e sim para seres humanos cuja perfeição devia ser a semelhança ou antes a integração no espírito da infância.&lt;br /&gt;&#13;&#10;O estilo parabólico era, realmente, um traço de união entre as diferentes idades do homem e, particularmente, essa verdade psicológica de que a velhice é uma volta à infância. Ou autêntica, quando por superabundância. Ou deformada, quando por esgotamento.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Esse pequeno idílio, Do outro lado tem segredos, possui a simplicidade das letras que superam o beletrismo. É uma parábola que se passa entre pescadores, o menino Bino e a menina Maria, em que Bino olha para lá do oceano, em direção à África de Aruanda, de onde vieram os seus antepassados. E a menina Maria, descendente de índios, olha para lá dos montes, de onde vieram os seus, no horizonte telúrico. São duas faces do mundo brasileiro, refletidas nessas duas crianças praieiras e no encontro de duas raças nostálgicas, do oceano e da floresta, com seus mistérios invisíveis e indizíveis.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Há, nessa historieta de crianças, à flor de sua natureza ainda virgem, uma intensa beleza de dores ainda não sofridas e das decepções ainda não tocadas pelo crepúsculo futuro de esperanças malogradas. Mais uma vez, o mistério do encontro secreto entre a infância e a velhice, entre a vida previvida e a vida sobrevivida. Entre a ignorância e a sabedoria, mistério que transcende nossa ciência e nossa cultura.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ana Maria Machado leu muitos livros e sabe muitos segredos da literatura. Sabe que pra lá dos mares há todos os mistérios mitológicos de Netuno. Como prá lá dos morros há todos os segredos de Demeter. Os mitos mais antigos da humanidade se conjugam e se traduzem pela linguagem intocada desse casal de crianças da praia e do morro. Só falta o português para que todo o Brasil ali esteja. Praieiro e telúrico. É a nossa inteligência, solicitada pela tentação da cultura conquistada e pela intuição mais inata. É a hesitação entre o canto das cigarras e a  ressonância dos búzios. É o segredo inspirado pelas palavras de Cristo, em que Deus colocou o mistério de sua criatividade. Na faculdade, Ana Maria era uma aluna que não se contentava com os textos e as lições e já sofria a tentação da pintura mais abstrata e... das guerrilhas mais concretas. Foi ela, se não me engano, uma das organizadoras, na faculdade, de uma exposição dos posters mais revolucionários. E hoje, depois de incursões pelas letras mais sofisticadas, nos presenteia com essa curta parábola de uma cristalinidade de fonte. E ainda tem por diante, em sua juventude preservada, largos horizontes a percorrer, para lá de praias e de montes.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Jornal do Brasil, Opinião&lt;br /&gt;&#13;&#10;Pág. 11, 1/3/79&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;/em&gt;</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/do-outro-lado-tem-segredos</link>
  <title>Do Outro Lado Tem Segredos</title>
  <dc:date>2011-8-03T09:27:16Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/uma-vontade-louca">
  <description>Tenho um carinho muito especial por esse livro. E não apenas porque relata  um primeiro amor, na adolescência.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Por um lado, fiz nele umas experiências que estava querendo fazer havia muito tempo: narrar do ponto de vista de um personagem masculino, variar os pontos de vista de quem conta a história,  falar do banho de mar à fantasia que faz parte do meu Carnaval desde a infância, etc.&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;Por outro lado,  bem depois do livro pronto, à medida que fui conversando sobre ele com os leitores, me dei conta de algo que não tinha sido consciente. De certo modo, é um acerto de contas meu com dois lados muito diferentes que me formam  o lado científico e o lado artístico. Ou o racional e o emocional, o intuitivo e o lógico, sei lá que nome dar a essas coisas.  Sei é que fiz curso científico (como se chamava naquele tempo) e pensava em estudar química ou biologia. Ao mesmo tempo, seguia um curso de pintura, acabei fazendo Faculdade de Letras e virando escritora.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Em Uma Vontade Louca, isso se reflete nesse casal de jovens em que ele é fissurado em dinossauros e na prehistória, enquanto ela é sonhadora, interessada em unicornios e lendas poéticas. Mas podem se encontrar na cumplicidade, na amizade, no amor,  e no carnaval, que tudo junta. Então aproveito para falar nessa tradição de carnaval de rua em cidades praieiras, em que as fantasias são efêmeras como  tantas costumam  ser, e se desmancham quando pretendemos levá-las a um mergulho. Desde pequena participo de blocos assim, com muita alegria. Antes, ia com meus pais e tios. Levei os filhos. Hoje, vou com os netos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/uma-vontade-louca</link>
  <title>Uma Vontade Louca</title>
  <dc:date>2011-7-26T05:37:23Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/curvo-ou-reto">
  <description>Na verdade, esse livro nasceu de um projeto da Luísa, designer e fotógrafa. Mas assim que eu percebi o alcance da ideia,  me encantei com ela.  De certo modo, é uma proposta de educação visual, de desenvolvimento de uma percepção do mundo pelo olhar. Mas é também uma aposta na possibilidade de uma descoberta poética da realidade : sair pela vida de olhos abertos,ao lado da criança,  vendo as coisas que vemos todo dia mas em que  antes não tínhamos reparado .&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Levamos mais de dois anos trabalhando nesse projeto . Conversamos , saímos para passear com crianças de diferentes idades, observamos suas reações. Hoje podemos ter certeza de que CURVO OU RETO é um excelente ponto de partida para experiencias divertidas e enriquecedoras de ver o mundo. Não apenas explorando com a criança a infinita variedade de possíveis retas e curvas que nos cercam. Mas também incorporando a observação de paralelas e transversais,  de formas abertas e fechadas, de ângulos retos, agudos e obtusos, de côncavo e convexo, de tanta coisa mais &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Além disso, a própria exploração do ambiente visual vai nos mostrando como esses conceitos podem ser relativos se vistos em detalhe ou no seu conjunto. Podemos ter curvas formadas de retas  como a folha de uma palmeira. Ou uma reta que se define pela sucessão de curvas  como vasos de plantas enfileirados.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Tudo isso sem o menor peso didático, sem o travo de parecer uma aula de geometria. Mas como quem  olha pela janela, sai a rua, passeia.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O resultado é uma proposta de livro que não se esgota em si mesmo, mas funciona como um ponto de partida para aguçar a percepção e a descoberta do mundo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Em termos pessoais, também, este livro é um momento muito especial para nós. Uma parceria profissional de que nos orgulhamos, entre mãe e filha. Foi uma delícia ir aos poucos desenvolvendo as ideias e dando forma `a obra.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Por tudo isso, CURVO OU RETO é um livro diferente de todos os que já tínhamos visto.  E é apenas o início de uma coleção. Já estamos trabalhando em outros,  de formato semelhante, que abordarão outros aspectos da descoberta do mundo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas isso é uma outra história, que fica para outra vez&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/curvo-ou-reto</link>
  <title>Curvo ou Reto</title>
  <dc:date>2010-7-06T08:39:41Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/menina-bonita-do-laco-de-fita">
  <description>O livro Menina Bonita do Laço de Fita é, junto com o Bisa Bia, Bisa Bel, um dos livros mais premiados e traduzidos da obra de Ana Maria Machado. Assim como o Bisa Bia, ele também é uma fonte aparentemente inesgotável de experiências vividas pelos leitores, como a Ana conta nesse trecho de uma palestra dada em setembro de 1996, no Congresso da Sociação de Literatura Infantil em Montevidéu e reproduzida na íntegra no livro Contracorrente.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;strong&gt;Com a palavra, Ana Maria:&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;/strong&gt;Este livro, para mim, é uma história que surgiu a partir de uma brincadeira que eu fazia com minha filha recém-nascida de meu segundo casamento. Seu pai, de ascendência italiana, tem a pele muito mais clara do que a minha e a de meu primeiro marido. Portanto, meus dois filhos mais velhos, Rodrigo e Pedro, são mais morenos que Luísa. Quando ela nasceu, ganhou um coelhinho branco de pelúcia. Até uns dez meses de idade, Luísa quase não tinha cabelo e eu costumava por um lacinho de fita na cabeça dela quando íamos passear, para ficar com cara de menina. Como era muito clarinha, eu brincava com ela, provocando risadas com o coelhinho que lhe fazia cócegas de leve na barriga, e perguntava (eu fazia uma voz engraçada): Menina bonita do laço de fita, qual o segredo para ser tão branquinha? E com outra voz, enquanto ela estava rindo, eu e seus irmãos íamos respondendo o que ia dando na telha: é por que caí no leite, porque comi arroz demais, porque me pintei com giz etc. No fim, outra voz, mais grossa dizia algo do tipo: Não, nada disso, foi uma avó italiana que deu carne e osso para ela... Os irmãos riam muito, ela ria, era divertido. Um dia, ouvindo isso, o pai dela (que é músico) disse que tínhamos quase pronta uma canção com essa brincadeira, ou uma história, e que eu devia escrever. Gostei da idéia, mas achei que o tema de uma menina linda e loura, ou da Branca de Neve, já estava gasto demais. E nem tem nada a ver com a realidade do Brasil. Então a transformei numa pretinha, e fiz as mudanças necessárias: a tinta preta, as jabuticabas, o café, o feijão preto etc.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O livro faz muito sucesso e foi traduzido em vários países. Onde, evidentemente, foi encontrando leituras ideológicas distintas e variadas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Na América Latina, região acostumada a misturas e mestiçagens, teve a honra de ser recomendado e incluído em premiações e seleções de melhores obras na Venezuela, na Colômbia, na Argentina.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Na Suécia, também teve uma recomendação especial nas bibliotecas públicas, como um exemplo de convívio multicultural e pluriétnico.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Em outro país nórdico, na Dinamarca, uma funcionária muito militante, do setor de bibliotecas, o condenou e recomendou que as bibliotecas não o comprassem, porque o livro sugere que negros e brancos vivam em paz como bons vizinhos, sem que os negros lutem por seus direitos e façam valer suas reivindicações daquilo que a sociedade lhes nega. Para ela, o livro seria uma desmobilização da luta e uma incitação ao conformismo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Nos Estados Unidos, num debate com professoras primárias em Wisconsin, uma delas pediu a palavra e disse que achava espantoso que eu tivesse a coragem de associar numa mesma história uma menina negra e um coelho, quando todos sabem que o coelho é um símbolo de promiscuidade sexual e proliferação e que essa associação era ofensiva aos negros. Mesmo se levássemos em conta que eu sou latina e que essas questões de promiscuidade não nos assustam tanto em nossa cultura, De tão estupefata, fiquei sem reação no primeiro instante, e não sabia o que responder. O que foi muito bom, porque meu silêncio permitiu que outra professora, e esta era negra, me defendesse frente à primeira, branca e loura. Contou que seus alunos tinham lido o livro e ficaram encantados, adoraram se reconhecer como bonitos e donos de um padrão invejável de beleza, capaz de obcecar um amiguinho branco.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;No norte do Brasil, numa livraria de Belém, apresentou-se a mim uma vendedora negra e linda, dizendo: Muito prazer, eu queria muito conhecer você. Eu sou a Menina Bonita do Laço de Fita. E contou que dez anos antes o livro fora para em suas mãos por acaso e ela o leu. Achava que era bonita e deliciou-se em ver que os livros reconheciam isso e eram capazes de mostrá-la linda. Identificou a leitura com verdade, coragem, e como uma espécie de espelho mágico, que a refletia e revelava como sabia que era, mas nem sempre era vista pelos outros. Interessou-se por livros, não tinha dinheiro para comprá-los, foi trabalhar numa livraria para aproveitar os momentos livres e ler tudo que lhe caísse nas mãos. Acabava de convencer o patrão a abrir a primeira livraria infantil da Amazônia sob sua responsabilidade.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Posso falar de outras leituras, mas não há muito tempo, nem é o caso. Estas bastam para atestar o que eu gostaria de ver discutido aqui. Um livro não é apenas aquilo que está escrito nele, mas também a leitura que o leitor faz desse texto. Os dois processos são ideológicos. Os dois pressupõem uma determinada visão do mundo. Para que o livro tenha um potencial rico, com muitas significações, é necessário que seja cuidado, tenha qualidades estéticas, seja um exemplo de criação original e não estereotipada. Mas, para que esse livro possa manifestar esse seu potencial, torná-lo real, é indispensável que encontre um leitor generoso que possa fazê-lo dialogar com muitas outras obras, com visões do mundo enriquecidas pela pluralidade e pela aceitação democrática da diferença. Somente dessa maneira o livro deixará de ser um ponto de chegada para se transfomar num ponto de partida permanente para outras leituras  de textos e do mundo. Ou dos inúmeros e inumeráveis mundos que existem, que não queremos mais que continuem existindo ou que sonhamos que um dia possa vir a existir.</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/menina-bonita-do-laco-de-fita</link>
  <title>Menina bonita do Laço de Fita</title>
  <dc:date>2010-3-04T14:34:02Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/bento-que-bento-e-o-frade">
  <description>Bento que bento é o frade!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Frade!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Na boca do forno!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Forno!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Cozinhando um bolo!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Bolo!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Fareis tudo que o seu mestre mandar?&lt;br /&gt;&#13;&#10;Fazeremos todos!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Fazeremos? Será que na hora de brincar, existe algum problema de não se fazer exatamente tudo que o mestre mandar?&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Será que tem importância falar de um jeito esquisito e não conjugar o verbo certinho, como manda a professora?&lt;br /&gt;&#13;&#10;E Salamê Minguê, o que que quer dizer?&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Nita tinha esses e muitos outros questionamentos na ponta da língua. Personagem encantadora, cuja verdade deixou gamado até o mestre Drummond, Nita resolveu que não era obrigada a pensar exatamente como todos os demais.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;em&gt;Bento que Bento é o Frade&lt;/em&gt; originalmente foi escrito como uma peça infantil chamada &lt;em&gt;No País dos Prequetés&lt;/em&gt;, ganhadora do concurso de dramaturgia infantil do Teatro Guaíra. Sua adaptação literária foi o primeiro livro infantil de Ana Maria a ser publicado, em 1977, pela editora Abril.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Em 1979, a peça No País dos Prequetés foi encenada no Rio, com Sonia Braga no papel de Nita.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O livro falou de questionamento e obediência, liderança e consenso, solidariedade e mutirão numa época em que ainda não era fácil nem comum tratar de assuntos dessa natureza. Só mesmo uma figura alegre e corajosa como Nita para fazer o que ela fazia naqueles tempos!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/bento-que-bento-e-o-frade</link>
  <title> Bento que Bento é o Frade</title>
  <dc:date>2009-7-10T09:47:57Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/era-uma-vez-um-tirano">
  <description>O livro Era uma vez um tirano teve sua primeira edição pela Editora Salamandra, em 1982, com ilustrações de Gabor Geszti. Depois disso, em 1989, foi publicado na Alemanha com as mesmas ilustrações. Mais recentemente ele foi lançado na Argentina pela Sudamericana, com ilustrações de Verónica Leite, e durante o mês de junho de 2003 foi relançado pela Salamandra, ilustrado por José Carlos Lollo num pacote de grandes clássicos de Ana Maria Machado e Ruth Rocha. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ele conta a história que foi passando de boca em boca sobre um país que não se tem certeza se foi aqui pertinho ou muito longe. Também não dá para saber se a história aconteceu há muito tempo, há poucos dias ou se ainda vai acontecer. No fundo, como sempre deve ser, o mais importante é que cada leitor preste atenção e chegue às suas conclusões, como fez o grande Carlos Drummond de Andrade em outubro de 1982:&lt;br /&gt;&#13;&#10;&quot;Como de costume, curti muito Era uma vez um tirano.O jeito de contar que você tem, e o que você conta com esse jeito, dão bem uma idéia do que pode ser&amp;#059; em graça e em sentido, um texto para crianças. Fica tão gostoso de ler! E a gente guarda a lembrança do lido.&quot;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;strong&gt;Com a palavra, Ana Maria:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sempre adorei ver fogos de artifício. Quando era bem pequena, gostava de desenhar festas de São João, com o céu estrelado e os fogos. Ao passar a escritora, sempre achei que um dia ia escrever a história de um fabricante de estrelas. Mas não pensava que. ao começar a trabalhar nesse texto, ele ia virar algo tão político.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Esse livro foi escrito em 1981, no tempo do governo militar. Já tinha havido a anistia, mas ainda vigoravam as leis da ditadura. Não havia liberdade nos sindicatos ou nas eleições. A justiça era muito limitada. Mas já tinha sido pior, antes de começar o que se chamou de &quot;distensão lenta e gradual&quot; do regime. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Por isso, ao contar essa história de um ditador, eu resolvi testar e não mais chamá-lo de rei, como tantos de nós, autores, tínhamosfeito antes. Arrisquei dar-lhe o nome de Tirano - o que, por si só, foi considerado uma temeridade por muita gente. Mas a Salamandra topou e nós fomos em frente.&lt;br /&gt;&#13;&#10;As proibições do Tirano, lembradas no livro, estavam na memória recente de todos. E não vigoravam apenas no Brasil, mas em vários outros países vizinhos. Minha proposta para vencer a situação era simbólica, naturalmente. Mas tinha a ver com o caminho em que eu acreditava: uma festa feita com a união de toda a nação, nas suas diferentes etnias e gerações, com os recursos da memória e da criatividade artística, e com a pureza e coragem das crianças.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Depois, como o livro foi traduzido em espanhol e alemão, a história se espalhou. E tive a emoção de vê-la no palco em Berlim, no mesmo teatro em que trabalhou Bertold Brecht, o Berliner Ensemble. Em tempos muito melhores, felizmente, quando nem a Alemanha nem o Brasil estão mais sofrendo com governos de tiranos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;E agora ele está aqui no Brasil de roupa nova, com novas ilustrações, festejando a liberdade de todos nós.&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/era-uma-vez-um-tirano</link>
  <title>Era uma vez um tirano</title>
  <dc:date>2008-6-22T11:26:02Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/contracorrente">
  <description>O Título CONTRACORRENTE causa uma certa estranheza, assim, numa palavra única. Já se mostra, de início, como uma brincadeira com as palavras. A autora explica seus varios sentidos. É contra toda e qualquer corrente, denunciando qualquer movimento para aprisionar o pensamento. Mas também tem a coragem de ousar remar contra a correnteza, contra os pensamentos corriqueiros e estereotipados, que repetem clichês, lugares-comuns ou ideias alheias.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas CONTRACORRENTE também brinca com a idéia de Conta-corrente.Uma espécie de cofre onde se guardam reflexões e argumentos sobre varias questões, disponíveis para serem sacados a qualquer instante. Que questões? O subtítulo explica um pouco. O livro reúne Conversas sobre leitura e política.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Na verdade, trata-se de uma coletânea de artigos e conferências cuja preocupação principal é a literatura. Longe, porém, de tratar o assunto com excessos teóricos e tentativas de interpretações originais, Ana Maria Machado prefere o diálogo franco com o leitor. Os temas vão se sucedendo: globalização, ideologia, direitos, curiosidade, coragem, leitura, novas tecnologias.  &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;As reflexões da autora são variadas. Examina o lugar do escritor na transição para a democracia ao fim do governo militar brasileiro, evoca experiências com o método Paulo Freire de alfabetização, examina de perto a questão da ideologia nos livros para crianças. Ao mesmo tempo, a obra conta conversas da autora com seus leitores ou revela a origem de histórias suas como Menina Bonita do Laço de Fita.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Por tudo isso, tem sido uma leitura favorita dos leitores que querem conhecer melhor a autora e os bastidores de sua criação. E um precioso registro para o público que, sentado na platéia, tem acompanhado as palestras e debates de que Ana Maria Machado vem participando, num permanente processo de troca de idéias e estímulo à reflexão crítica. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Muitos desses textos eram conhecidos apenas no exterior, por conferências feitas no estrangeiro ou publicações em revistas de outros países. A maioria deles saiu também na Argentina, num volume chamado Buenas Palabras, Malas Palabras, da Editora Sudamericana.&lt;br /&gt;&#13;&#10;No ano de seu lancamento, em 1999, Contracorrente foi finalista do premio Jabuti na Categoria Ensaios e ganhou o Premio Cecilia Meireles da FNLIJ, como melhor obra teórica.</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/contracorrente</link>
  <title>Contracorrente</title>
  <dc:date>2008-5-20T11:10:39Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/uma-historia-de-pascoa">
  <description>Uma História de Páscoa foi publicada inicialmente na revista Recreio, em março de 1971, ilustrada por Canini. Depois saiu em livro, em 1977, com ilustrações de Rogerio Borges, como um dos quatro contos que integravam o livro Currupaco Papaco e Outras historias, um dos três títulos de Ana Maria Machado que integravam a série Histórias de Recreio. Em 1982, sempre pela Editora Abril, veio nova edição, de luxo, com capa dura. E alguns anos mais tarde, ganhou roupagem totalmente nova em outra casa: num formato pequenino, fácil de caber em mãos infantis, a Record republicou o livro - dessa vez com ilustrações da dupla Denise &amp; Fernando.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Só muito depois é que a Salamandra resolveu fazer a Coleção Batutinha e publicar separadamente os 12 contos que um dia tinham feito parte da série Historias de Recreio. E em 2000, Uma História de Páscoa ganhou autonomia, com 24 páginas totalmente em cores, ilustradas por Gonzalo Cárcamo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;strong&gt;Ana fala do livro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Quando eu fiz essa história, ainda publicava apenas na Revista Recreio e tratava de atender a uma encomenda - um texto que falasse de Páscoa. Mas já estava escrevendo havia mais de dois anos, me sentia com alguma segurança, e resolvi aproveitar para fazer uma experimentação, já que o tema era determinado, me dei o direito de tomar muita liberdade com a forma. E resolvi construir um livro que fosse espelhado. Isto é, bem simétrico, como quem se olha num espelho, alternando os pontos de vistas dos dois protagonistas - o menino e o coelho. Ao fazê-los ficar bem parecidos, comportando-se de forma semelhante, a história passou a igualar realidade e fantasia. Com isso, a fantasia passou a lançar dúvidas sobre a a realidade.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Acho que essa era a grande dificuldade que eu tinha de enfrentar numa história com esse tema: como conseguir, ao mesmo tempo, não destruir nem reforçar a idéia de que um coelhinho de Páscoa traz ovos de chocolate? O jeito foi brincar e deixar um mistério suspenso - com a promessa de que, quando a criança crescer mais um pouco, as coisas se resolvem. E uma piscadela de olho para as que já cresceram.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Por outro lado, essa estrutura me permitiu também acrescentar um elemento novo, que é muito mais freqüente no Natal do que na Páscoa. pelo menos, para as crianças. Ou seja, a troca de presentes. A alegria de fazer algo para um amigo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;É uma história muito simples, para crianças pequenas. Até recentemente não teve vida independente. não ganhou prêmios, não foi traduzida, nunca teve uma resenha ou crítica de ninguém. Mas a experiência de escrevê-la me ensinou muita coisa sobre os mistérios da escrita, me mostrou como a forma pela qual a gente estrutura um conto ajuda a revelar coisas profundas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Além disso, há também uma coisa afetiva muito boa na minha ligação com esse livro. é que tenho lembranças ótimas da páscoas de minha infância. geralmente passávamos em Petrópolis, em casa de minha avó paterna. Como a cidade teve uma imigração alemã muito significativa, essa influencia marcou os costumes locais. Não se escondiam os ovinhos - costume que só vim a conhecer muito depois, ja adulta, quando percebi que festejava a Páscoa com meus filhos de modo diferente dos colegas deles. Lá em casa as crianças faziam uns ninhos na véspera, em cestinhas ou tampas de caixa, forrados com musgo, grama ou palha e enfeitados com flores, fitas e papeis coloridos. Deixavam tudo preparado e iam dormir. No dia seguinte, eles estavam cheios de ovos e balas. Ovos de chocolate e ovos cozidos, de galinha, pintados em diversas cores. Além disso, o café da manhã era chocolate quente, tinha bolo em forma de coelho, a mesa toda enfeitada. Um ano, a minha avó soltou filhotes de coelho dentro de casa e quando acordamos foi uma festa.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Quando cresci um pouco, passei a ajudar os adultos a preparar os ovos para os irmãos menores. Ficávamos até tarde na cozinha pintando com anilina, dividindo as balas e ovinhos miúdos de chocolate para todo mundo ganhar igual, essas coisas. Era muito divertido e eu me sentia muito importante.&lt;br /&gt;&#13;&#10;E a essa altura, como eu já tinha feito a primeira comunhão, havia um complicador. Justamente no dia do café da manhã mais tentador do ano, eu precisava ficar em jejum - porque devia fazer a Páscoa. Isto é, comungar naquele dia. E só podia comer quando voltasse da missa. Mas aí, descontava...</description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/uma-historia-de-pascoa</link>
  <title>Uma História de Páscoa</title>
  <dc:date>2007-8-17T17:11:32Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.anamariamachado.com/historia/portinholas">
  <description>O livro &lt;em&gt;Portinholas&lt;/em&gt; foi lançado em 2003, no ano do centenário de Candido Portinari. Ele traz a parceria entre uma escritora, que também é pintora, e um pintor que gostava de escrever.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ana Maria se considera primordialmente uma pintora, tendo estudado alguns anos no museu de Arte Moderna do Rio e de Nova York. Ela já fez exposições e pinta há mais de quarenta anos, apesar de não expor mais.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ela já declarou que a arte é parte integral da sua vida e que não poderia se imaginar sem ela.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas, por outro lado, é através da literatura que Ana encontrou o melhor canal para se expressar. Mais do que isso, é um ofício que lhe dá um imenso prazer: &quot;Adoro o meu trabalho. Ainda bem, porque acho que não ia conseguir viver se não escrevesse.&quot;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Em maio de 2003, Ana Maria visitou Brodowski, em São Paulo, terra natal do pintor, para o lançamento do livro. Ana voltou encantada com o museu Casa de Portinari, feito com muito carinho na casa onde o pintor morou, em frente à pracinha onde brincavam as crianças e se armava o circo que ele pintou. Por perto, em outra praça, o coreto onde o pai do pintor tocava na banda. Ana adorou, no jardim da casa, uma capela que Portinari fez para a avó e revestiu internamente de murais com os santos preferidos dela, usando como modelos as pessoas da família. A museóloga Angelica, que dirige o Museu, faz um trabalho excelente com arte e educação e a garotada da região aproveita bastante. Vale a pena conferir.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;strong&gt;Com a palavra, Ana Maria&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&#13;&#10; Este livro levou anos amadurecendo. Nasceu de dois projetos distintos. Um era o sonho de fazer uma história ilustrada com pinturas de Portinari. Outro era a idéia de trabalhar com desenhos infantis e explorar as diferenças entre expressão pessoal e criação artística. De um jeito atraente para crianças, sem dar a impressão de aula.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Achei que festejar o centenário de Portinari me dava a chance de realizar o primeiro sonho. Mal comecei a selecionar o material, descobri que estava trabalhando também com a segunda idéia, guardada há tanto tempo, junto com os desenhos de minha filha Luísa quando era pequena. Os dois projetos se fundiram.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O resultado é um suspiro de admiração diante dos mistérios da criação artística. Que impulso leva o ser humano a se manifestar por meio de desenhos, música, histórias, dança? Em que ponto essa manifestação espontânea passa a procurar a beleza? Como essa beleza deixa de depender do tema e pode ser atingida mesmo quando parte de coisas consideradas banais ou feias? Como se chega à arte, capaz de tocar a emoção e a razão dos outros? Qual o milagre que transforma uma obra que retrata apenas o que está dentro de seu autor em uma obra em que a humanidade cabe dentro?&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Este livro não pretende dar resposta a nada disso. Quer apenas festejar o centenário de Portinari, o mais consagrado pintor. Mas também lembra que a arte levanta questões como essas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Tomara que ajude a abrir portinholas e escancarar portas para o mundo da arte. </description>
  <link>http://www.anamariamachado.com/historia/portinholas</link>
  <title>Portinholas</title>
  <dc:date>2003-6-01T09:31:04Z</dc:date>
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