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O livro Portinholas foi lançado em 2003,
no ano do centenário de Candido Portinari. Ele traz a parceria
entre uma escritora, que também é pintora, e um pintor que
gostava de escrever.
Ana Maria se considera primordialmente uma pintora, tendo estudado
alguns anos no museu de Arte Moderna do Rio e de Nova York.
Ela já fez exposições e pinta há mais de quarenta anos, apesar
de não expor mais.
Ela já declarou que a arte é parte integral da sua vida e que
não poderia se imaginar sem ela.
Mas, por outro lado, é através da literatura
que Ana encontrou o melhor canal para se expressar. Mais do
que isso, é um ofício que lhe dá um imenso prazer: "Adoro o
meu trabalho. Ainda bem, porque acho que não ia conseguir
viver se não escrevesse."
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Ana Maria no jardim da casa de Portinari
em Brodowski |
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Em maio de 2003, Ana Maria visitou Brodowski, em São
Paulo, terra natal do pintor, para o lançamento do livro.
Ana voltou encantada com o museu Casa de Portinari, feito com
muito carinho na casa onde o pintor morou, em frente à pracinha
onde brincavam as crianças e se armava o circo que ele
pintou. Por perto, em outra praça, o coreto onde o pai
do pintor tocava na banda. Ana adorou, no jardim da casa, uma
capela que Portinari fez para a avó e revestiu internamente
de murais com os santos preferidos dela, usando como modelos
as pessoas da família. A museóloga Angelica,
que dirige o Museu, faz um trabalho excelente com arte e educação
e a garotada da região aproveita bastante. Vale
a pena conferir.
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Na capela da Nonna, que Portinari fez no
jardim da sua casa, em Brodowski, para a avó |
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| Com
a palavra, Ana Maria:
Este livro levou anos amadurecendo. Nasceu de dois projetos distintos.
Um era o sonho de fazer uma história ilustrada com pinturas de Portinari.
Outro era a idéia de trabalhar com desenhos infantis e explorar as diferenças
entre expressão pessoal e criação artística. De um
jeito atraente para crianças, sem dar a impressão de aula.
Achei que festejar o centenário de Portinari me dava a chance de realizar
o primeiro sonho. Mal comecei a selecionar o material, descobri que estava trabalhando
também com a segunda idéia, guardada há tanto tempo, junto
com os desenhos de minha filha Luísa quando era pequena. Os dois projetos
se fundiram. |
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Ainda na capela da Nonna. As pessoas da
família do pintor posaram como modelos para as imagens dos
santos |
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O resultado é um suspiro de admiração
diante dos mistérios da criação
artística. Que impulso leva o ser humano a se
manifestar por meio de desenhos, música, histórias,
dança? Em que ponto essa manifestação
espontânea passa a procurar a beleza? Como essa
beleza deixa de depender do tema e pode ser atingida
mesmo quando parte de coisas consideradas banais ou
feias? Como se chega à arte, capaz de tocar
a emoção e a razão dos outros?
Qual o milagre que transforma uma obra que retrata
apenas o que está dentro de seu autor em uma
obra em que a humanidade cabe dentro?
Este livro não pretende dar resposta a nada disso. Quer apenas festejar
o centenário de Portinari, o mais consagrado pintor. Mas também
lembra que a arte levanta questões como essas.
Tomara que ajude a abrir portinholas e escancarar portas para o mundo da arte. |
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Coreto da Praça Martin Moreira em
Brodowski
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