Ana Maria Machado


Contracorrente


20.05.2008    comente


O Título CONTRACORRENTE causa uma certa estranheza, assim, numa palavra única. Já se mostra, de início, como uma brincadeira com as palavras. A autora explica seus varios sentidos. É contra toda e qualquer corrente, denunciando qualquer movimento para aprisionar o pensamento. Mas também tem a coragem de ousar remar contra a correnteza, contra os pensamentos corriqueiros e estereotipados, que repetem clichês, lugares-comuns ou ideias alheias.

Mas CONTRACORRENTE também brinca com a idéia de Conta-corrente.Uma espécie de cofre onde se guardam reflexões e argumentos sobre varias questões, disponíveis para serem sacados a qualquer instante. Que questões? O subtítulo explica um pouco. O livro reúne “Conversas sobre leitura e política.”
Na verdade, trata-se de uma coletânea de artigos e conferências cuja preocupação principal é a literatura. Longe, porém, de tratar o assunto com excessos teóricos e tentativas de interpretações originais, Ana Maria Machado prefere o diálogo franco com o leitor. Os temas vão se sucedendo: globalização, ideologia, direitos, curiosidade, coragem, leitura, novas tecnologias.

As reflexões da autora são variadas. Examina o lugar do escritor na transição para a democracia ao fim do governo militar brasileiro, evoca experiências com o método Paulo Freire de alfabetização, examina de perto a questão da ideologia nos livros para crianças. Ao mesmo tempo, a obra conta conversas da autora com seus leitores ou revela a origem de histórias suas como “Menina Bonita do Laço de Fita”.

Por tudo isso, tem sido uma leitura favorita dos leitores que querem conhecer melhor a autora e os bastidores de sua criação. E um precioso registro para o público que, sentado na platéia, tem acompanhado as palestras e debates de que Ana Maria Machado vem participando, num permanente processo de troca de idéias e estímulo à reflexão crítica.

Muitos desses textos eram conhecidos apenas no exterior, por conferências feitas no estrangeiro ou publicações em revistas de outros países. A maioria deles saiu também na Argentina, num volume chamado Buenas Palabras, Malas Palabras, da Editora Sudamericana.
No ano de seu lancamento, em 1999, Contracorrente foi finalista do premio Jabuti na Categoria Ensaios e ganhou o Premio Cecilia Meireles da FNLIJ, como melhor obra teórica.


tags: contracorrente,  leitura,  ensaios.

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