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6. Uma conquista histórica

Eu era muito amiga do doutor Evandro Lins e Silva. Minha irmã foi casada com um filho dele, então a
gente conviveu muito. Ele várias vezes me falou que eu deveria me candidatar, que ele gostaria muito de me ver na Academia. E quando ele morreu eu fiquei muito triste com o acontecido, mas pensei que a
hora era aquela.



Com o Dr. Evandro Lins e Silva
durante cerimônia de premiação
do Prêmio Machado de Assis
na ABL em 2001

Em recepção ocorrida na Editora Nova Fronteira, com os acadêmicos Evanildo Bechara, Alberto da Costa
e Silva, Murilo Melo Filho no dia da eleição para a ABL

Todo mundo que escreve tem uma vontade de participar da Academia, é algo natural. É o mesmo que um jogador de futebol querer entrar para a seleção, um desembocadouro natural.
A campanha foi muito trabalhosa, mas acima de tudo, proveitosa. Foi uma oportunidade de chegar perto de pessoas muito interessantes que de outra forma eu não teria como conhecer.

Depois de quatro meses onde procurei encontrar pessoalmente cada um dos acadêmicos, para me apresentar e à minha obra, tive a imensa honra de ser eleita para ocupar a cadeira número 1, que tem como patrono Adelino Fontoura, e cujo fundador foi Luís Murat.

Ana entre os imortais
presentes à sua posse


Já diplomada, assumindo
a cadeira nº 1.

Essa escolha é muito significativa, pois até hoje nenhum autor com uma obra significativa para o público infantil havia sido escolhida para a Academia. Nem mesmo Monteiro Lobato conseguiu quando se candidatou.

Como fiz questão de lembrar nas primeiras entrevistas que dei após a eleição, sou muito grata a duas outras autoras que abriram os caminhos para essa consagração. Uma delas foi Rachel de Queiroz, por ter sido a primeira mulher a ser escolhida para a Academia e ter aberto as portas para todas as que vieram depois.

Se preparando para assinar o
livro de posse, encaminhada
por Cândido Mendes


Ao lado do presidente da Academia, Alberto da Costa e Silva

A outra autora que foi fundamental em minha trajetória de escritora e me incentivou muito a me candidatar foi minha querida amiga Ruth Rocha.
A repercussão da minha escolha foi outra coisa maravilhosa que aconteceu. Compartilhe aqui um pouco do carinho recebido através do site.

A posse aconteceu no dia 29 de agosto de 2003. Faz parte da tradição da Academia quem está tomando posse homenagear o antecessor. Para mim, essa tarefa foi muito prazeirosa, já que pude falar de afetuosas lembranças do meu convívio pessoal com o meu querido amigo Evandro Lins e Silva. O meu discurso de posse está disponível (num arquivo em formato PDF) para quem quiser ler.

Sendo cumprimentada por
Bia e Pedro Correia do Lago


Com Claudia e Paulo Henrique Amorim

Fui recebida pelo acadêmico Tarcísio Padilha, que lembrou, em seu discurso, das outras cinco mulheres que alcançaram essa mesma honra, recordando que, já na fundação da Academia, "Lúcio de Mendonça, a quem todos devemos a idéia de se fundar esta Academia, (...), incluiu o nome de Julia Lopes de Almeida. Foi vencido duas vezes, mas pela imprensa insistiu na mesma tecla, em favor do ingresso de escritoras na Casa de Machado de Assis. ".